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MVP: Realmente Mínimo, Viável e Realmente um Produto

MVP: Realmente Mínimo, Viável e Realmente um Produto

Ao acompanhar startups, percebi um problema que, de tão comum, começa a me incomodar. O MVP, o Produto Mínimo Viável, de maioria das startups falha em um dos 3 aspectos: ou não é mínimo, ou não é viável, ou não é um produto.

Realmente Mínimo

Vamos a um exemplo hipotético. Se o Nubank tivesse nascido já como um banco, ele teria sido tão bem sucedido? Talvez. Seriam realmente mínimos caso surgissem nesse formato? Surgir como um banco é um MVP? A resposta é obviamente não.

Chamo isso de: “Síndrome de Stormtrooper”. Caso alguém tenha vivido numa caverna desde 1977, Stormtroopers são soldados da franquia “Star Wars” conhecidos por atirarem muito e nunca acertarem nos alvos com precisão.

Startups que não tem um produto realmente mínimo sofrem desse mesmo problema. Geralmente, a necessidade de “atirar para todos os lados” leva a produtos cheios de funcionalidades e pouco valor efetivo para os clientes. Seja rápido, mas tenha foco!

Para evitar essa síndrome, é importante seguir alguns passos prévios antes de “começar o tiroteio”:

  • Entenda sua persona. Um produto mínimo nunca irá agradar a todos- e nem deve. Um MVP real, é feito para criar tração em um segmento de mercado mais específico e as funcionalidades desenvolvidas devem trazer valor para essa persona específica.

  • Invista tempo na Descoberta do Cliente. Geralmente por ansiedade, startups começam a “atirar” antes de pensar, ou seja, começam a programar e gastar dinheiro sem ter uma real noção dos problemas e qual a solução mais eficiente para o cliente. Entenda o problema a fundo e, partir disso, valide a solução proposta com um MVP.

 

Realmente Viável

Nesse caso, gostaria de dar um exemplo: startups de óculos de realidade virtual (VR). Por que muitas delas não tem um produto viável? Porque óculos de VR não entregam valor por vendar seus olhos, é necessário algum jogo ou cenário que complemente a experiência virtual.

Para isso acontecer, é necessário uma comunidade de desenvolvedores e que produzam jogos e cenários para que seja viável. Justamente por isso, muitas estão tornando seus produtos open-source para engajar e facilitar o desenvolvimento de aplicações de realidade virtual.

Não é possível resolver meio-problema. Portanto, para o MVP ser realmente viável, precisa-se ir até o final na resolução desse problema:

  • O Cliente precisa perceber Valor na solução. Entenda se seu cliente quer trocar os amortecedores ou comprar um carro novo. Entenda qual experiência esse cliente espera. Geralmente, em mercados iniciais, o cliente procura uma solução completa de ponta-a-ponta como os casos de realidade virtual-, mas isso nem sempre é o caso. Entenda como pode resolver um problema por inteiro e quais funcionalidades-chave para isso.

Realmente um Produto

Nesse caso, não se desespere. Talvez esse texto termine de uma maneira animadora. Para realmente ser um produto, todo MVP precisa ser capaz de ser vendido e alguém pagar por isso. Parece trivial, mas é uma confusão que acontece mais do que deveria. Não confunda protótipo, teste Alpha e teste Beta com MVP.

Como regra de bolso, pense o seguinte: testes Alpha e Beta são de graça ou com descontos extremos, o objetivo é coletar feedbacks e testar as funcionalidades. Nesses testes, os usuários estão te ajudando a finalmente transformar sua solução em um produto, logo, ainda não é um produto.

Não é vergonha nenhuma falar que seu produto está em teste Beta- aliás diria que isso mostra algo positivo para investidores. Caso seu produto não esteja disponível para uso e/ou pagamento para qualquer pessoa interessada, ainda não é um MVP.

Passe por todos os estágios e entenda:

  • Nem tudo é um Produto ainda. Procure entender o que é um Protótipo, POC, um teste Alpha, um teste Beta e um MVP. Procure entender as diferenças entre eles. Dizer a um investidor que tem um MVP pronto, mas que na verdade está em teste Beta pode ser problemático.

 

MVP

Esse termo é batido, muitas pessoas definem de maneiras diferentes. Pense em “MVP” como um termo- um pouco vago- que significa um estágio de desenvolvimento de um produto. Ser “pré-MVP”, “MVP” ou “pós-MVP” já não diz tanta coisa.

O produto é só um meio, o modelo de negócios é o fim.

 

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Gabriel Henrique Dalmolim
Gabriel Henrique Dalmolim Seguir

Economista, curioso e entusiasta por tecnologia.

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